Tomar uma decisão que envolva uma mudança radical de vida não é fácil. A lei da inércia, que diz que corpos parados tendem a permanecer parados, também vale para nossas vidas. Permanecer na nossa rotina, que já conhecemos tão bem e à qual estamos acostumados, pode parecer a melhor opção, mesmo que reclamar da rotina já seja algo também rotineiro. O que leva então alguém a decidir mudar e enfrentar o desconhecido?
Bem, não vou fazer aqui um estudo antropológico nem psicológico, mas vou falar da minha experiência.
Para mim, a decisão de mudança de vida aconteceu após pesar os prós e os contras, e ver qual situação me apresentava mais riscos. Isso pode estar claro para quem me conhece bem e pode parecer estranho para quem me conhece um pouco, mas, naquele momento, permanecer como eu estava era mais arriscado do que tentar uma mudança.
Foi um cálculo aparentemente simples de fazer, mas que em minha cabeça não foi tão simples assim, e envolveu muitas dúvidas e ansiedade. De um lado eu tinha um emprego estável, numa empresa grande e respeitada, que consegui graças a muitos dias e noites de estudo. Do outro, minhas aspirações profissionais e pessoais. Os dois infelizmente não estavam compatíveis (nem no longo prazo, ao menos com minha visão de Geração Y, se é que tal coisa realmente existe). O primeiro passo foi tentar compatibilizá-los, e estabelecer um prazo para a tomada de decisão, caso tudo continuasse igual. Estabeleci também uma reserva financeira que precisava alcançar para ter uma folga até encontrar outro trabalho. Comecei a planejar uma das minhas metas pessoais/profissionais, que era aperfeiçoar meu inglês e ter uma vivência em outro país. Traçar todo esse plano tornou as coisas mais fáceis, porque eu só tinha que ir seguindo adiante, passo a passo. Quando chegou a data limite para a tomada de decisão, já estava com os outros passos prontos, só faltava dar o último (ou primeiro?) passo. Óbvio que as dúvidas e a ansiedade estavam sempre lá, mas, por outro lado, tinha um certo repouso no sentimento de estar fazendo a coisa certa.
É claro que a noção de certo e errado é muito subjetiva, e, como eu já esperava, minha decisão foi questionada por algumas pessoas, inclusive por algumas mais próximas. Mas o que me surpreendeu foi que a maioria das pessoas me apoiou!!! Eu continuava sendo a única responsável por todos os meus atos, mas o fato de existirem pessoas que acreditam em você e que te mandam boas energias é reconfortante. Mas mesmo das pessoas que me apoiaram, ouvi várias versões de “Aproveita agora que você é jovem, solteira e não tem filhos (essa desculpa até cheguei a adotar algumas vezes para encurtar a conversa)” ou “Você não faria isso se tivesse mais de trinta”.
Daí, como que para não deixar sombra de dúvida de que essas desculpas não são verdade, logo no meu primeiro dia de aula em Nova York conheço um casal de brasileiros (na foto comigo), com seus trinta e poucos anos, casados já de muito tempo, que refutou as duas idéias de uma vez só! Vieram os dois, juntos, mais ou menos nas mesmas circunstâncias que eu. Boa parte dos meus colegas de classe também já tem mais de trinta, e está aqui por diversas razões, mas a idade, definitivamente, não os atrapalhou.
Outra forma de pensar é se perguntar o que de pior poderia acontecer se tudo desse errado. Se não for algo tão difícil de suportar, já é um bom sinal. No meu caso, o pior seria ficar sem dinheiro de novo, mas já vivi a maior parte da minha vida assim e nem por isso era infeliz! Um pouquinho de autoconfiança também ajuda... Tudo isso somado ao que meu pai chama de “espírito aventureiro” resultou em estar aqui hoje escrevendo esta história.
Não estou dizendo que minha decisão seria a mesma em um outro contexto, mas cabe a cada pessoa avaliar sua própria realidade e ver o que é melhor para ela mesma. A decisão da mudança não deve ser condicionada às opiniões de outras pessoas nem a questões de idade, estado civil, etc, mas sim ao que cada um define como prioridade. Um vez definida, é hora de correr atrás, com coragem e pensamento positivo!
Sucesso para todos nós!

Gostei muito do resultou estar aqui escrevendo essa história.
ResponderExcluirBoas energias pra vc.
Bj